quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Have ! Gratia plena Dominus tecum - S. Lucas 1:28

... et ingressus angelus ad eam dixit have gratia plena Dominus tecum ...benedicta tu inter mulieres et benedictus fructus ventris tui (Lucas 1:28,42 Vulgata Latina)
E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo .. Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre! (Lucas 1:28,42 Tradução SBB).

Quando o anjo Gabriel, da parte de Deus, veio até uma virgem chamada Maria que morava em Nazaré, na Galileia disse-lhe as palavras que estão registradas em Lucas 1:28. Mais tarde, quando a própria Maria visitou sua parenta Isabel, Lucas registra as palavras de Isabel em 1:42.
Estas palavras não foram ditas em latim, nem português e embora estejam registradas pelo evangelista Lucas em grego do século primeiro provavelmente foram ditas em Aramaico, a língua falada em Israel e na região onde Maria e José moravam. O termo latino “have” era um termo de saudação latina usado não somente para César, mas para todos. Em grego o termo é Chaire (lê-se Kaire). Em Aramaico ele à saudou com a palavra “Paz = Shalom” e a chamou de "Ruahma" que significa que ela foi alvo do favor amoroso de Deus. É o mesmo termo que dá nome à filha de Oséias após o seu resgate (veja Oséias 2:1), a Lia, Raquel e Ana no Antigo Testamento ao receberem a graça de serem mães, embora estéreis.
De fato, Maria foi muito agraciada por Deus ao ser escolhida para dar a luz ao filho de Deus ao se tornar homem. Lembremo-nos que antes que Maria e toda a humanidade existisse Ele já existia eternamente como nos ensina o evangelho de João 1:1.
As palavras aqui transcritas em latim são a base para a famosa oração usada pelos nossos irmãos católicos romanos em suas missas e outros momentos de devoção: A “Ave Maria”.
Muitos trechos desta oração foram tirados do evangelho de Lucas e de decisões importantes da Igreja nos primeiros séculos da era cristã. Porque nós, protestantes e evangélicos, não a utilizamos em nossas celebrações litúrgicas e momentos particulares de adoração?
Para responder esta pergunta precisamos entender quem foi de fato esta mulher extraordinária que de mãe se tornou discípulo, talvez a primeira de Jesus. Ela não somente recebeu Jesus em seu ventre, mas também em seu coração e esteve com ele em grande parte de sua vida (infância e juventude) além do seu ministério público. A Bíblia registra algumas participações de Maria em momentos da vida de Jesus.
Foi ela quem trouxe a Jesus o problema da família em cuja festa de casamento o vinho acabou, conforme João 2. Ali ela soube dar um conselho precioso aos servos: “Fazei tudo o que ele vos disser”.
Está registrada sua conversa com o anjo onde se nota a sua dúvida sobre como uma virgem poderia conceber uma criança sem o contato com o homem. Lucas também registra a sua profissão de fé onde diz: “Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.” (Lucas 1:38 ). Depois registra o seu cântico, O “magnificat” que é o termo latino traduzido da primeira palavra em grego na frase:” Engrandece a minha alma ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,(Lucas 1:46-47) “.Lucas também registra as palavras de mãe aflita que ela disse a Jesus quando ele ficou no templo entre os doutores da lei.
Tudo o que se registra sobre Maria, a mãe de Jesus, demostra que embora ela fosse uma mulher do povo, simples e com todas as expectativas, falhas e ansiedades que são comuns aos seres humanos, a graça de Deus derramada sobre ela como favor imerecido a capacitou a cumprir a sua missão de mãe e de agente do amor de Deus. Houve ocasião em que ela teve medo e dor, no qual tomou a tomou a decisão precipitada, influenciada pelos irmãos de Jesus, de tentar tirá-lo do meio da multidão. Neste momento Jesus soube lhe dizer qual era o caminho correto. Os três evangelhos sinóticos registram este episódio: Mateus. 12:48, Marcos. 3:33 e Lucas. 8:21.
Precisamos perder o medo de estudar a vida de Maria e aprender com ela que Deus pode usar pessoas imperfeitas como nós para fazer seu filho Jesus chegar aos corações humanos. Todos os que cremos somos separados por Deus para uma missão. Parte da missão de Maria era gestar, alimentar e conduzir Jesus em seus primeiros anos e juventude até aquele momento mágico, e às vezes doloroso, em que pais tornam-se filhos e mestres tornam-se discípulos. Maria tornou-se filha de Deus ao crer em Jesus embora tenha sido a mãe do filho de Deus que se fez homem. Embora ela tenha ensinado a Jesus como mãe, ela também tornou-se discípulo quando o ouviu e obedeceu. Ela o carregou no ventre, mas o recebeu no coração como todos devemos receber!
A bíblia nos ensina que só Deus pode ser o alvo de nossa adoração e orações, ensina também que toda glória deve ser dada a Ele. Por isso devemos continuar orando apenas a Deus Pai por intermédio de Jesus Cristo com a ajuda do Espírito Santo. É assim que o próprio Jesus nos ensina a orar. Por isso não oramos a ninguém mais, embora a vida dos servos de Deus possam servir de modelo, alerta e inspiração para as nossa vidas!
A vida de Maria nos ensina que se quisermos andar com Deus devemos amá-lo e obedecê-lo como servos. Ensina também que devemos aprender a guardar tudo o que Deus faz, em nosso coração (Lucas 1:19 e 51), meditando nas ações de Deus até o momento em que o próprio Deus complete a obra que ele quer realizar em nós.
Há muito que aprender sobre a mãe de Jesus e há muito que aprender com ela, naquilo que a bíblia nos conta sobre ela. Aprendar a seguir o conselho que ela mesma já deu: fazei tudo o que Jesus vos disser.
Postar um comentário